Rosa dos Ventos
No campo aberto, onde o destino mora,
A Rosa dos Ventos, de bronze e luz,
Cansada de apontar a nova aurora,
Deixou o norte que o metal conduz.
Girou o eixo em busca de um sentido,
Que não fosse apenas a imensidão,
Pois quem conhece o mundo, convertido,
Às vezes quer apenas o chão.
Pousou seu brilho sobre a areia quente,
E ali, no beijo de um rastro de sol,
Achou um Alecrim, verde e valente,
Que não carece de nenhum farol.
"Tu que és guia", disse o arbusto manso,
"Por que repousas sob o meu dossel?
Eu sou o cheiro curto do descanso,
Tu és a régua que riscou o céu."
A Rosa, então, em voz de ferro e vento,
Respondeu com a calma de quem vê:
"De que me vale todo o movimento,
Se o mundo inteiro é menos do que crê?
Virei o mar, medi cada hemisfério,
Mas perco o rumo se não houver raiz;
O teu perfume é o único mistério
Que faz da estrada um lugar feliz."
E ali ficaram, sob o azul profundo:
O mapa antigo e o broto do jardim.
Ela deu norte para todo o mundo,
E ele, à Rosa, a alma deu, por fim.
Por Chris Katz
Sou Mundos!
Chris