
Escravo moderno
Data 08/05/2026 16:36:17 | Tópico: Poemas -> Crítica
| Quando olhamos um operário, vemos um escravo, Não das correntes visíveis, mas do tempo vendido. Seu suor não pinga no chão: Escorre para relógios alheios, Seu nome some no ruído das máquinas, E seu cansaço nunca assina o próprio descanso. Ele acorda antes do sol aprender a nascer, Carrega o mundo nas costas sem nunca possuí-lo, Constrói casas onde jamais dormirá, Ergue pontes que não atravessam sua vida, E aprende cedo que dignidade não paga aluguel. Chamam de trabalho aquilo que o consome inteiro, De escolha aquilo que nunca foi opção, De mérito a sobrevivência forçada. Quando olhamos um operário, Vemos um escravo moderno: Livre apenas para continuar obedecendo. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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