Poemas -> Crítica : 

Escravo moderno

 
Quando olhamos um operário, vemos um escravo,
Não das correntes visíveis, mas do tempo vendido.
Seu suor não pinga no chão:
Escorre para relógios alheios,
Seu nome some no ruído das máquinas,
E seu cansaço nunca assina o próprio descanso.

Ele acorda antes do sol aprender a nascer,
Carrega o mundo nas costas sem nunca possuí-lo,
Constrói casas onde jamais dormirá,
Ergue pontes que não atravessam sua vida,
E aprende cedo que dignidade não paga aluguel.

Chamam de trabalho aquilo que o consome inteiro,
De escolha aquilo que nunca foi opção,
De mérito a sobrevivência forçada.
Quando olhamos um operário,
Vemos um escravo moderno:
Livre apenas para continuar obedecendo.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

Instagram
@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
Texto
Data
Leituras
24
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados