
POÇO SEM FUNDO
Data 11/05/2026 01:57:29 | Tópico: Poemas
| Em parte me enganei porque quis me enganar, em parte fui esganado, pela verdade sem par, sempre a escorregar.
A guarda baixa e a dor, o jamais guardado ator, mas o amanhã aguarda. Nem no passado houve, nem no futuro haverá.
A esperança é sincera no presente sem lugar, erra ao querer encontrar no peito a dor ausente — mente o amor a andar.
Cego em mundo errante, esquece o que é lembrar. Pode então encontrar? Vida, singelo descanso, a vila de passo manso?
A procura é sem sentido, a dor é cera de ouvido, só o subjetivo arranhar. O segundo se é contado, jamais foi um dia vivido,
Assim, o ser só existe insiste, na incerteza há. Falta é poço sem fundo, do muro a desmoronar — mora sozinho, sem lar.
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