Poemas : 

POÇO SEM FUNDO

 
Em parte me enganei
porque quis me enganar,
em parte fui esganado
pela verdade a andar,
sempre a escorregar.

A guarda baixa e dor,
o jamais guardado ator,
mas o futuro aguarda.
Nem no passado houve,
no futuro não haverá.

A esperança sincera
no presente sem lugar,
erra ao querer encontrar
no peito a dor ausente —
mente o amor sem par.

Cego em mundo errante,
esquece o que é lembrar.
Como pode então encontrar
vida, singelo descanso,
a vila de passo manso?

A procura é sem sentido,
a dor é cera de ouvido,
o segundo se é contado,
jamais foi um dia vivido,
só o subjetivo arranhar.

Assim, o ser só existe
onde a incerteza há,
falta é poço sem fundo,
do muro a desmoronar —
mora sozinho, sem lar.


Souza Cruz

 
Autor
souzacruz
Autor
 
Texto
Data
Leituras
25
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados