
III. O Rosário das Marés de Odoyá (Uma Sestina sobre Iemanjá) Por Chris Katz
Data 13/05/2026 19:19:56 | Tópico: Poemas
| III. O Rosário das Marés de Odoyá (Uma Sestina sobre Iemanjá)
Eu vi o céu beijar o rosto do imenso mar, No instante em que as ondas chamaram por Iemanjá. O espelho das águas brilhava em puro cristal, Para que o mundo fizesse das areias um altar. Onde o sal se mistura ao doce sopro da vida, E o vento se cala apenas para a ouvir cantar.
É preciso ter alma e ter voz para saber cantar, As glórias daquela que é a dona de todo o mar. Cada gota de orvalho carrega o germe da vida, Sob o manto rendado da grandiosa Iemanjá. As conchas e as pérolas adornam o seu altar, Onde a luz do luar se derrama em brilho cristal.
Nenhum segredo se esconde no fundo cristal, Que a sereia de saia não saiba ao nos ver cantar. O pescador se ajoelha diante do seu azul altar, Pedindo licença e proteção para entrar no mar. Pois sabe que a força e o perdão vêm de Iemanjá, A mãe que embala o destino e o rumo da vida.
É no balanço das águas que eu sinto a minha vida, Refletida nas preces desse reino de cristal. Tudo o que eu sou pertence apenas a Iemanjá, Que ensina o meu peito cansado a sempre cantar. Não há solidão para quem mergulha no mar, E encontra no abraço das ondas o seu único altar.
Levo flores de vidro e perfumes para o seu altar, Celebrando a graça e o mistério de toda a vida. O horizonte é o limite entre o céu e o mar, Onde a espuma desenha um castelo de cristal. O povo se cala e o universo começa a cantar, Pois hoje é o dia de louvor à nossa Iemanjá.
A rainha das águas, a poderosa Iemanjá, Faz da própria lembrança o nosso maior altar. Ela sopra o encanto que faz a poesia cantar, E traz a bonança para o curso de cada vida. O seu olhar é a cura, o seu toque é cristal, E o seu coração é a imensidão de todo o mar.
No ventre do mar, reina a glória de Iemanjá, A luz em cristal ilumina o seu santo altar, Pois a nossa vida nasceu para a ver cantar.
Por Chris Katz
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