III. O Rosário das Marés de Odoyá
(Uma Sestina sobre Iemanjá)
Eu vi o céu beijar o rosto do imenso mar,
No instante em que as ondas chamaram por Iemanjá.
O espelho das águas brilhava em puro cristal,
Para que o mundo fizesse das areias um altar.
Onde o sal se mistura ao doce sopro da vida,
E o vento se cala apenas para a ouvir cantar.
É preciso ter alma e ter voz para saber cantar,
As glórias daquela que é a dona de todo o mar.
Cada gota de orvalho carrega o germe da vida,
Sob o manto rendado da grandiosa Iemanjá.
As conchas e as pérolas adornam o seu altar,
Onde a luz do luar se derrama em brilho cristal.
Nenhum segredo se esconde no fundo cristal,
Que a sereia de saia não saiba ao nos ver cantar.
O pescador se ajoelha diante do seu azul altar,
Pedindo licença e proteção para entrar no mar.
Pois sabe que a força e o perdão vêm de Iemanjá,
A mãe que embala o destino e o rumo da vida.
É no balanço das águas que eu sinto a minha vida,
Refletida nas preces desse reino de cristal.
Tudo o que eu sou pertence apenas a Iemanjá,
Que ensina o meu peito cansado a sempre cantar.
Não há solidão para quem mergulha no mar,
E encontra no abraço das ondas o seu único altar.
Levo flores de vidro e perfumes para o seu altar,
Celebrando a graça e o mistério de toda a vida.
O horizonte é o limite entre o céu e o mar,
Onde a espuma desenha um castelo de cristal.
O povo se cala e o universo começa a cantar,
Pois hoje é o dia de louvor à nossa Iemanjá.
A rainha das águas, a poderosa Iemanjá,
Faz da própria lembrança o nosso maior altar.
Ela sopra o encanto que faz a poesia cantar,
E traz a bonança para o curso de cada vida.
O seu olhar é a cura, o seu toque é cristal,
E o seu coração é a imensidão de todo o mar.
No ventre do mar, reina a glória de Iemanjá,
A luz em cristal ilumina o seu santo altar,
Pois a nossa vida nasceu para a ver cantar.
Por Chris Katz
Sou Mundos!
Chris