Poemas : 

III. O Rosário das Marés de Odoyá (Uma Sestina sobre Iemanjá) Por Chris Katz

 
III. O Rosário das Marés de Odoyá
(Uma Sestina sobre Iemanjá)

Eu vi o céu beijar o rosto do imenso mar,
No instante em que as ondas chamaram por Iemanjá.
O espelho das águas brilhava em puro cristal,
Para que o mundo fizesse das areias um altar.
Onde o sal se mistura ao doce sopro da vida,
E o vento se cala apenas para a ouvir cantar.


É preciso ter alma e ter voz para saber cantar,
As glórias daquela que é a dona de todo o mar.
Cada gota de orvalho carrega o germe da vida,
Sob o manto rendado da grandiosa Iemanjá.
As conchas e as pérolas adornam o seu altar,
Onde a luz do luar se derrama em brilho cristal.


Nenhum segredo se esconde no fundo cristal,
Que a sereia de saia não saiba ao nos ver cantar.
O pescador se ajoelha diante do seu azul altar,
Pedindo licença e proteção para entrar no mar.
Pois sabe que a força e o perdão vêm de Iemanjá,
A mãe que embala o destino e o rumo da vida.

É no balanço das águas que eu sinto a minha vida,
Refletida nas preces desse reino de cristal.
Tudo o que eu sou pertence apenas a Iemanjá,
Que ensina o meu peito cansado a sempre cantar.
Não há solidão para quem mergulha no mar,
E encontra no abraço das ondas o seu único altar.

Levo flores de vidro e perfumes para o seu altar,
Celebrando a graça e o mistério de toda a vida.
O horizonte é o limite entre o céu e o mar,
Onde a espuma desenha um castelo de cristal.
O povo se cala e o universo começa a cantar,
Pois hoje é o dia de louvor à nossa Iemanjá.

A rainha das águas, a poderosa Iemanjá,
Faz da própria lembrança o nosso maior altar.
Ela sopra o encanto que faz a poesia cantar,
E traz a bonança para o curso de cada vida.
O seu olhar é a cura, o seu toque é cristal,
E o seu coração é a imensidão de todo o mar.


No ventre do mar, reina a glória de Iemanjá,
A luz em cristal ilumina o seu santo altar,
Pois a nossa vida nasceu para a ver cantar.

Por Chris Katz



Sou Mundos!


Chris

 
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Enviado por Tópico
Aline Lima
Publicado: 14/05/2026 02:44  Atualizado: 14/05/2026 02:44
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Mensagens: 1193
 Re: III. O Rosário das Marés de Odoyá (Uma Sestina sobre Iemanjá) p/ Katz
Olá, querida Katz.

É muito bonito como você transforma o mar em reza e presença. Enquanto lia, parecia que a fé e a presença se moviam junto das águas. E essa repetição de algumas palavras cria mesmo um efeito de maré, algo que vai, volta, embala e permanece.

Odoyá, Iemanjá!

Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 18/05/2026 19:53  Atualizado: 18/05/2026 19:53
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Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4258
 Re: III. O Rosário das Marés de Odoyá (Uma Sestina sobre...
https://www.luso-poemas.net/modules/ne ... action=edit&storyid=48322

Carimbei esta última passagem
Para o resto do lado de lá,
Contei todos os degraus da escada,
Soltos de parafuso em parafuso,
Olhei o espelho esquecido da imagem
Deitado no regaço materno de Iemanjá
Corpo de Sereia em olhos de Fada,
Vestida de grave saber profuso.

Senti brotar em minhas veias
O curso do rio que alma me lavou,
De margens feitas de beleza,
Cantado em som de harpa Celta.
De mãos amordaçadas por teias,
Com olhar que o tempo matou,
Rosas alvas, pétalas de incerteza,
Perfumadas, de face esbelta.

Murmurei teu nome neste conto
Entre danças de Sátiros e Duendes,
Flautas mágicas da tua floresta,
Uranos e Neptunos que casam sentidos
Em céu pintado, ponto por ponto
De brilhos, como só tu me entendes,
Como o todo o pouco que me resta
Nos últimos dias por ti repetidos.

Fogo fátuo que me ilumina as façanhas,
Que tudo me diz por voz silenciada,
Lê o amanhã em conchas de mar,
Nas rugas que os anos escavaram
Por entre o passado, nas entranhas.
Diz-me da sorte bem e mal amada,
Dos passos, do dizer que se quer calar
Entre nossos amores que o mundo pararam.


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