Infernos (172ª Poesia de um Canalha)

Data 26/05/2026 07:29:00 | Tópico: Poemas

Inda longe vinha famigerado princípio
Tido na voz poeta d'eloquente homem
Verbo qu'esdrúxulo se dizia e fazia ser
Tal inquieta salvação d'um povo ímpio
Por outro desigual querer que o amem
Pobre e desnudo sem a sorte de viver

Da carne já velha curava el'o sacrifício
Tatuado num esquálido pensar eunuco
E exótica devoção de alva mesquinhez
Devorando almas num dantesco ofício
Na ímproba essência do corpo caduco
Que d'longos dias e frias noites se fez

Súbita a vontade por acolá se duplicou
Num exagero próprio o maldito animal
Que galgava essas vidas outrora vivas
O gélido sentimento que já nos tomou
De chagas coberto e angélico ar trivial
Deu-te à morte duas escolhas lascivas

Um novo sedoso caminhar pelo infinito
Liberto da vil fronteira da ígnea dúvida
Desfolhada pela dor mortal de alguém
Ou espinhoso tormento d'deus erudito
Cativo em purgatória entranha lá tida
Que de tão acre não a queria ninguém


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