
O eco do silêncio
Data 18/05/2026 23:50:50 | Tópico: Poemas
| Cresci antes do tempo, na sombra de um gigante, Quatro anos de infância roubados num instante. O monstro vestia a pele de um homem de bem, Amigo da casa, confiava-lhe alguém. E na mesa posta, onde a fé era o escudo, O lobo inventava o seu reino de tudo. Aos treze voltei a morrer no mesmo altar, Onde a culpa do mundo me tentou vergar. Disseram que a mulher tem de ler a maldade, Calaram as lágrimas da minha tenra idade. Eu disse que não com o corpo e com o olhar, Mas a bota do monstro continuou a esmagar. Hoje voltas, na teia da rede virtual, Para ver se a ferida ainda sangra igual. Sondas a vida, o perfil, o pormenor, Procuras o estrago do teu ato de horror. Mas o poço de dor onde me quiseste afogar Virou um oceano que te vai devorar. Não criaste uma vítima cega de pavor, Criaste o fogo que queima o agressor. A dor fez-se escudo, a raiva fez-se lei: Pelas mulheres que amo, o monstro serei. O primeiro monstro se chamava Luís. O segundo, Cláudio.
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