Cresci antes do tempo, na sombra de um gigante,
Quatro anos de infância roubados num instante.
O monstro vestia a pele de um homem de bem,
Amigo da casa, confiava-lhe alguém.
E na mesa posta, onde a fé era o escudo,
O lobo inventava o seu reino de tudo.
Aos treze voltei a morrer no mesmo altar,
Onde a culpa do mundo me tentou vergar.
Disseram que a mulher tem de ler a maldade,
Calaram as lágrimas da minha tenra idade.
Eu disse que não com o corpo e com o olhar,
Mas a bota do monstro continuou a esmagar.
Hoje voltas, na teia da rede virtual,
Para ver se a ferida ainda sangra igual.
Sondas a vida, o perfil, o pormenor,
Procuras o estrago do teu ato de horror.
Mas o poço de dor onde me quiseste afogar
Virou um oceano que te vai devorar.
Não criaste uma vítima cega de pavor,
Criaste o fogo que queima o agressor.
A dor fez-se escudo, a raiva fez-se lei:
Pelas mulheres que amo, o monstro serei.
Sta. Rochaaa
O primeiro monstro se chamava Luís.
O segundo, Cláudio.