
Estado de Conserva
Data 04/06/2026 01:58:40 | Tópico: Poemas
| a figueira não crescia
pairava
como certas decisões apodrecendo intactas
havia frutos demais e todos exigiam sua fome
um brilhava em ouro doméstico mesa posta, vidro limpo, a poeira escolhendo os mesmos lugares
outro vinha com gosto de fuga línguas de álcool, um corpo sem endereço vivendo rente ao pelo da febre
havia o fruto da escrita que pesava o galho e crescia à custa do que ainda não tinha pele
um outro, pálido, escurecia primeiro no centro
eu olhava todos e nada caía
então veio o verão
as frutas começaram a ceder
irreversíveis
desde então há um cheiro de coisa passada subindo de mim
e às vezes, quando alguém encosta no meu ombro, ouço ramos partindo em algum lugar ainda vivo
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