Erosão

Data 17/06/2026 20:36:21 | Tópico: Poemas

Deixa que o meu corpo
se devore a ele próprio,
Deixa que os meus ossos
se tornem em pó,
nada mais do que terra

Despida nunca dos impulsos,
vestida sempre de repulsa,
Usarei o desprezo como uma arma
enquanto me despes da culpa

Rói o osso,
o sacrifício e a vergonha
de todas as horas doridas,
ancas carcomidas,
pulsos finos,
era isto que querias.

Tirei a camisola mas não a raiva
de mim, laivos de suspiros sem fim
e eterna colisão dos sensos
enquanto me despes eu penso,

Rói o osso
o sacrifício e a vergonha
de todas as horas feridas,
angústias sentidas,
pulsos finos,
ancas estreitas,
de fome de mim desfeitas,
era isto que querias.



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