Poemas : 

Erosão

 
Deixa que o meu corpo
se devore a ele próprio,
Deixa que os meus ossos
se tornem em pó,
nada mais do que terra

Despida nunca dos impulsos,
vestida sempre de repulsa,
Usarei o desprezo como uma arma
enquanto me despes da culpa

Rói o osso,
o sacrifício e a vergonha
de todas as horas doridas,
ancas carcomidas,
pulsos finos,
era isto que querias.

Tirei a camisola mas não a raiva
de mim, laivos de suspiros sem fim
e eterna colisão dos sensos
enquanto me despes eu penso,

Rói o osso
o sacrifício e a vergonha
de todas as horas feridas,
angústias sentidas,
pulsos finos,
ancas estreitas,
de fome de mim desfeitas,
era isto que querias.

 
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trizescreve
 
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Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 17/06/2026 22:16  Atualizado: 17/06/2026 22:16
Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1685
 Re: Erosão
Nota-se perfeitamente a veste raivosa que cobre as palavras!
Gostei muito, venham mais!

Bem vinda ao LP :)


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 19/06/2026 09:45  Atualizado: 19/06/2026 09:45
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2322
 Re: Erosão
“Elas não matam, mas moem“
Fez-me pensar o título.

Mas o abuso, tema central, está retratado duma forma forte e mordaz.
O subtema é a insubmissão.
As referências anatómicas dão ao poema um grande impacto.
A forma de mensagem ainda torna a composição mais rica.

A quadra tem rimas ricas desposicionadas e dos versos mais bem conseguidos do conjunto.

De resto, cuidadosa ao nível gramatical e vocabular.

Um começo auspicioso.

Abraço e venham mais...


Enviado por Tópico
DiogoCosmo∞
Publicado: 22/06/2026 14:50  Atualizado: 22/06/2026 14:50
Super Participativo
Usuário desde: 02/02/2025
Localidade:
Mensagens: 144
 Re: Erosão
Olá, minha querida Amiga! O teu grito… através das palavras.
Cru, direto, e quase físico.
Autodestruição e culpa. O corpo aqui não é lar, mas sim um campo de batalha. A tua voz poética pede: "ossos se tornem em pó, nada mais do que terra".
É o desgaste de dentro para fora. As emoções à flor da pele, onde a dor, a repulsa, raiva e vergonha andam juntas.
Retratas o cansaço de quem vive em guerra interior.
Muitos parabéns pela simplicidade e pela coragem, bem ajas amiga.
Estarei algures, sempre presente!
Diogo Cosmo ∞
22/06/2026

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