
Apontamentos desnecessários
Data 25/06/2026 22:25:28 | Tópico: Poemas
| À parede trepa-lhe a hera na última sexta-feira de cada mês; depois morre de amores ao entardecer e aguarda ordem de ressurreição num pálido amanhecer.
O homem rega o canário estendido ao sol da gaiola; está morto e cheira muito mal. O homem teme que das penas brotem bichos de cemitério. A mulher limpa os sapatos do homem enquanto ele rega o pássaro morto. Abandonados, os sapatos esquecem a exatidão do andar. Agora a mulher esfrega os sapatos com violência; levantam muito pó.
A janela já não abre para a rua, espreita o pôr-do-sol.
As libélulas do Rio Branco nascem com duas cores, ambas brancas.
O cão veio do sul de Espanha diz quem o conhece que caçava coelhos com zelo e dedicação o bufão de pena preta anotou-o no livro das espécies protegidas e sublinhou-o a vermelho privilégio reservado aos primatas às libélulas do Rio Branco a pálidos amanheceres e a outras coisas caídas no olvido.
Notavelmente, o último apontamento dispensa vírgulas e outras menoridades.
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