
Entre dois sentimentos
Data 26/06/2026 16:25:32 | Tópico: Poemas -> Amor
| Eu caminho por dentro de mim Como quem pisa em terra devastada, Carregando no peito Dois exércitos que não descansam. O ódio me chama pelo nome com voz de ferro, Promete força, Promete esquecimento, Promete não sentir, E por um instante, Quase cedo à sua disciplina fria. Mas o amor… Ah, o amor me encontra Mesmo quando me escondo de mim, Toca minhas ruínas como quem ainda vê morada, E insiste, Teimoso, quase louco, em me reconstruir. Minha mente ergue trincheiras, Calcula cada passo, Diz que sentir é perigo, Que lembrar é fraqueza, Que sobreviver Exige endurecer até não sangrar mais. Meu coração, no entanto, Trai todos os planos. Abre as portas que fechei, Acende luz onde jurei cultivar apenas sombras. E eu… Eu sou o campo onde tudo isso acontece, Sou o grito que não sai, Sou a decisão que nunca termina. E se há um traidor nesta guerra que me atravessa, Eu o reconheço agora. É o medo, Que me faz recuar do amor E me entregar ao ódio Como quem escolhe a própria queda Disfarçada de proteção. Mas eu sigo lutando, Porque no fundo, bem no fundo, eu sei Não é o mais forte que vence em mim, É o que eu escolho alimentar no silêncio. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
Instagram @poetacacerense
|
|