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Entre dois sentimentos

 
Eu caminho por dentro de mim
Como quem pisa em terra devastada,
Carregando no peito
Dois exércitos que não descansam.

O ódio me chama pelo nome com voz de ferro,
Promete força,
Promete esquecimento,
Promete não sentir,
E por um instante,
Quase cedo à sua disciplina fria.

Mas o amor…
Ah, o amor me encontra
Mesmo quando me escondo de mim,
Toca minhas ruínas como quem ainda vê morada,
E insiste,
Teimoso, quase louco, em me reconstruir.

Minha mente ergue trincheiras,
Calcula cada passo,
Diz que sentir é perigo,
Que lembrar é fraqueza,
Que sobreviver
Exige endurecer até não sangrar mais.

Meu coração, no entanto,
Trai todos os planos.
Abre as portas que fechei,
Acende luz onde jurei cultivar apenas sombras.

E eu…
Eu sou o campo onde tudo isso acontece,
Sou o grito que não sai,
Sou a decisão que nunca termina.
E se há um traidor nesta guerra que me atravessa,
Eu o reconheço agora.
É o medo,
Que me faz recuar do amor
E me entregar ao ódio
Como quem escolhe a própria queda
Disfarçada de proteção.

Mas eu sigo lutando,
Porque no fundo, bem no fundo, eu sei
Não é o mais forte que vence em mim,
É o que eu escolho alimentar no silêncio.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
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Odairjsilva
 
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Enviado por Tópico
gillesdeferre
Publicado: 26/06/2026 17:11  Atualizado: 26/06/2026 17:11
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Usuário desde: 14/06/2024
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Mensagens: 571
 Re: Entre dois sentimentos
Excelente.
"O que escolho alimentar no silêncio".

Estou em crer que o mundo gira em torno desse eixo.

Muito bom.
Abraço

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