
Linha aberta: denuncie
Data 26/06/2026 17:29:18 | Tópico: Poemas
| a rua às duas horas da noite o silêncio certo, como desenhado a regra e esquadro as casas de janelas voltadas para dentro um carro ao longe como fugisse a voz do sono no paralelo entre os passeios um semáforo que alterna a cor, inútil como um urso sentado numa cadeira a ler o jornal a cidade regula o relógio na perfeição nocturna desta rua comprida as casas que se aproximam como se quisessem beijar-se
um beijo cínico de aranha
as luzes mornas dos lampiões as sombras esguias apagando-se em abandono
um coração lateja na forma de um grito no escuro
a mulher não se recolheu a tempo de escapar à agenda da morte
outro grito outro coração dentro das casas também se chora
murmuram-se nomes, avivam-se memórias escorrem nomes nas sarjetas velam-se os rostos regressam os encobertos na baba das ratazanas doentes de peste.
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