
domingo de manhã
Data 28/06/2026 10:09:36 | Tópico: Poemas
| domingo cinzento no final de junho as chávenas do café, no fundo, junto à parede,
um jornal solitário lido sem interesse
o eco
amo a música uníssona das chávenas umas nas outras (já o disse. quantas vezes podemos repetir uma palavra num texto pequeno)
o silêncio possui a textura dos espelhos
nestes observo a radiografia das mulheres tristes
recupero um livro mal lido insistindo nas letras obtusas dos códigos que me levam na história que inventei
o eco, onde me deito ou julgo que me deito nas horas do mar
e na vez do sono penso um pensamento oco na possibilidade do
eco
como do ovo cósmico surgisse um pintainho amarelo, feliz e viciado em cafeína
escrevendo escrevendo sempre cumprindo as vozes das sereias desaguadas
cheias de sede e de seios
de corpos nus impedidos
quando bruscamente, sem aviso
se me acabam as palavras
e o café.
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