Poemas : 

domingo de manhã

 
domingo cinzento no final de junho
as chávenas do café, no fundo, junto à parede,

um jornal solitário lido sem interesse

o eco

amo a música uníssona das chávenas umas nas outras
(já o disse. quantas vezes podemos repetir uma palavra num texto pequeno)

o silêncio possui a textura dos espelhos

nestes observo a radiografia das mulheres tristes

recupero um livro mal lido insistindo nas letras obtusas dos códigos
que me levam na história que inventei

o eco,
onde me deito
ou julgo que me deito
nas horas do mar

e na vez do sono
penso um pensamento oco na possibilidade do

eco

como do ovo cósmico surgisse um pintainho amarelo, feliz e viciado em cafeína

escrevendo escrevendo sempre
cumprindo as vozes das sereias desaguadas

cheias de sede e de seios

de corpos nus impedidos

quando bruscamente, sem aviso

se me acabam as palavras

e o café.

















 
Autor
gillesdeferre
 
Texto
Data
Leituras
27
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados