domingo cinzento no final de junho
as chávenas do café, no fundo, junto à parede,
um jornal solitário lido sem interesse
o eco
amo a música uníssona das chávenas umas nas outras
(já o disse. quantas vezes podemos repetir uma palavra num texto pequeno)
o silêncio possui a textura dos espelhos
nestes observo a radiografia das mulheres tristes
recupero um livro mal lido insistindo nas letras obtusas dos códigos
que me levam na história que inventei
o eco,
onde me deito
ou julgo que me deito
nas horas do mar
e na vez do sono
penso um pensamento oco na possibilidade do
eco
como do ovo cósmico surgisse um pintainho amarelo, feliz e viciado em cafeína
escrevendo escrevendo sempre
cumprindo as vozes das sereias desaguadas
cheias de sede e de seios
de corpos nus impedidos
quando bruscamente, sem aviso
se me acabam as palavras
e o café.