
Riso Emaranhado
Data 05/07/2026 20:07:50 | Tópico: Poemas
| Pela berma desta rua, A tristeza logo encosta, Veste a pele toda nua, Mas a gente não a atua, Pois a vida traz resposta.
Neste asfalto duro e frio, O serviço é bem urgente, Contra o cinza mais sombrio, Coze o riso em desafio P’ra aquecer toda a gente.
Amassa a massa do dia Com farinha de esperança, Leveda a fome do dia. E reparte em poesia O calor da vizinhança.
Lavam todos o cansaço Neste gozo de lavar, Onde o peito, passo a passo, Desata o nó do cansaço Como roupa a pingar.
Mesmo o pobre sem moedas, Leva a graça no avental, Sobe o riso por veredas, Pisa as dores mais azedas, Faz do frio pão e sal.
Dizem vozes na calçada Que o menino traz no bolso Futuro em forma alada, Pequena chama guardada Contra o mundo mais revolto.
Mas o riso foi silenciado — Calou-se a vizinhança, Todo o brilho amordaçado Sob o peso acumulado Desta gente sem esperança.
(inspirado em "Emaranhada", de Juliana Linhares)
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