
E que seja assim
Data 07/07/2026 11:59:36 | Tópico: Poemas
| Se me deixares ir, Saberei com exatidão onde as ondas do mar tornar-se-ão espuma, E falarei às águas do tormento vivido a cada respiração (tua) ausente.
Se soltares os meus grilhões, Empunharei minha espada - não como um ato de bravura, Mas como a última alternativa de manter viva a imagem (tua), No livro de minhas memórias medievais, que pelo tempo rabisquei.
Se quebrares os espelhos da minha alma – estilhaçando lembranças (tuas), Alçarei voo aos picos mais altos do meu íntimo, À procura de abrigo, para que me esconda do embaraço de amar-te um dia.
Se apagares as minhas memórias, Todas elas vivenciadas em um emaranhado de dores e fracassos, Saberei que no mais profundo de minha mente, continuarás intacto... ainda lembrado.
Não prometo desaparecer dos retratos pintados (nossos)…
E que seja assim….
Aqui ficarei, a beijar-te as feridas, Como um cão sem dono, À espera de migalhas de pão e afeto, Para saciar a minha fome interminável, que eu chamo, Até hoje, de Saudade.
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