Se me deixares ir,
Saberei com exatidão onde as ondas do mar tornar-se-ão espuma,
E falarei às águas do tormento vivido a cada respiração (tua) ausente.
Se soltares os meus grilhões,
Empunharei minha espada - não como um ato de bravura,
Mas como a última alternativa de manter viva a imagem (tua),
No livro de minhas memórias medievais, que pelo tempo rabisquei.
Se quebrares os espelhos da minha alma – estilhaçando lembranças (tuas),
Alçarei voo aos picos mais altos do meu íntimo,
À procura de abrigo, para que me esconda do embaraço de amar-te um dia.
Se apagares as minhas memórias,
Todas elas vivenciadas em um emaranhado de dores e fracassos,
Saberei que no mais profundo de minha mente, continuarás intacto... ainda lembrado.
Não prometo desaparecer dos retratos pintados (nossos)…
E que seja assim….
Aqui ficarei, a beijar-te as feridas,
Como um cão sem dono,
À espera de migalhas de pão e afeto,
Para saciar a minha fome interminável, que eu chamo,
Até hoje, de Saudade.