Através da cortina.

Data 08/07/2026 15:01:24 | Tópico: Poemas

Já cheguei a um ponto onde
nada mais é inédito,
nenhum decreto, lei ou édito
mudam o que há de cético em mim,
não discuto,
(também não mais escuto)
Não choro mais o luto.
Não me toca mais o bruto.
Não me enfeitiça mais o culto.
O canto de sereia da academia
Não me faz mais de iguaria
na sua fome voraz
por alguma mente sagaz.

Apenas me posiciono,
Se não funciono?
Apenas sorrio, parto
e ponto!
Sem mais costura, remendo ou pesponto.

Vivo um novo renascimento
é como um consolo,
Um sagrado lenimento
que gera arrefecimento
dessa sensação de que
não faz sentido
tomar mais um comprimido
para estar feliz sendo oprimido.

Não passo mais pano para
o ser humano,
A verdade é que somos
Seres capazes de causar muito dano!

Aceito, mas não me deleito
como este mundo em convulsão.
Aprendi a dizer não e está tudo certo.
(basta não olhar de muito perto).

Hoje não mais me arrebento,
nem passo mais sofrimento.
Reconheço a minha humanidade
“Integrei a minha sombra gratiluz”
já drenei todo este pus purpurina com cheiro de urina choca.
Já cansei de rave em oca…

Evoluí! Me iluminei.
“Só sei que nada sei”

Já é o bastante!

Já posso ser um livro
em alguma estante.
(restante)

Hoje?

Não mais me estilhaço.
Não me perco do meu próprio passo.
(minha alma é de aço!).

Se não morri de bala de ideologia
facada de religião,
Não vai ser tecnologia
a minha perdição.
Se não sucumbi à febre da corrupção,
o capitalismo não me traz satisfação,
não me diluí na tortura da educação,
nenhum homem me governa pelo coração,
nada me derruba
nem mesmo a turba
da humanidade em evolução.

Apenas me concentro no pulso do coração.

E assim me perco nos meus pensamentos em círculo grácil
percebo que viver é fácil,
embora o mundo perverso.

E reinvento o universo
(no meu quarto)
e isto é um grande fato
“A revolução da dissolução”
onde me dissocio
com um sorriso pacato
me parto em pedaços de arte
assim tenho a ilusão de fazer a minha parte.


E “bora” fechar a cortina
a vida nunca termina
neste teatro.
É só mais um intervalo,
entre um e outro ato.
Enquanto o ser humano se extermina
E vejo o mundo pela janela.

( através da cortina
a vida até parece bela!).


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