poema do intervalo

Data 16/07/2026 10:53:39 | Tópico: Poemas

ao menos o cigarro
para disfarçar as idas
ao varandim das pausas
com cinzas
a conduzir o olhar
para os miúdos lá em baixo
maradonas e platinis
nomes com que por piada
assino emails que ninguém lê
nem a de vestido vermelho
que sorriu com um verso meu

quase que avisto daqui
a aldeia dos meus avós
o tanque da quinta do juiz
onde a rapaziada se metia
entre limos e peixes
a contar o número de cigarros
namoradas e masturbações
enquanto eu admirava
carpas e pimpões
trancados na sua beleza
esquecidos das correntes

regresso ao cigarro
e descubro entre a miudagem
quem não fui
a rir-se de mim
aquele que segue atrás dos outros
com os pés molhados
cobertos de terra
ansioso por se fechar
no quarto e brincar
com o peixinho vermelho
escondido no bolso



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