Poemas : 

poema do intervalo

 
ao menos o cigarro
para disfarçar as idas
ao varandim das pausas
com cinzas
a conduzir o olhar
para os miúdos lá em baixo
maradonas e platinis
nomes com que por piada
assino emails que ninguém lê
nem a de vestido vermelho
que sorriu com um verso meu

quase que avisto daqui
a aldeia dos meus avós
o tanque da quinta do juiz
onde a rapaziada se metia
entre limos e peixes
a contar o número de cigarros
namoradas e masturbações
enquanto eu admirava
carpas e pimpões
trancados na sua beleza
esquecidos das correntes

regresso ao cigarro
e descubro entre a miudagem
quem não fui
a rir-se de mim
aquele que segue atrás dos outros
com os pés molhados
cobertos de terra
ansioso por se fechar
no quarto e brincar
com o peixinho vermelho
escondido no bolso

 
Autor
Benjamin Pó
 
Texto
Data
Leituras
36
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
11 pontos
1
1
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
uma_desconhecida
Publicado: 16/07/2026 11:19  Atualizado: 16/07/2026 11:19
Participativo
Usuário desde: 23/06/2026
Localidade:
Mensagens: 36
 Re: poema do intervalo
Gostaria de ter a habilidade de comentar textos com mais propriedade mas, não tenho essa mestria...contudo posso dizer-te que tua composição é maravilhosa e te parabenizo por isto...

Gostei imenso.

Um abraço, com favorito.

Links patrocinados