
Por cima do teu nome
Data 26/07/2026 10:15:09 | Tópico: Poemas
| Não entendes o que eles dizem e eles não param para te escutar. As suas palavras passam por ti
lâminas cegas cortam [sem intenção] ferem [sem saberem.]
O abandono instala-se devagar água fria a fluir nas tuas veias.
Os gestos os rostos o próprio ar deixam de te reconhecer.
A raiva cresce onde a voz não chega. Há um animal fechado a roer-te o peito por dentro a pedir saída a pedir mundo a pedir que alguém te veja antes que te desvaneças.
E resistes. Chama frágil clandestina que insiste em não morrer. Um lume que não aquece ilumina para que não te percas de ti.
E assim segues. Entre o que te falta e o que te sobra. Entre o que te negam e o que ainda guardas.
Um corpo que avança mesmo quando o caminho não lhe pertence.
Um silêncio que resiste mesmo quando ninguém o sabe escutar.
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