Poemas : 

Por cima do teu nome

 

Não entendes o que eles dizem
e eles não param para te escutar.
As suas palavras passam por ti

lâminas cegas
cortam [sem intenção]
ferem [sem saberem.]


O abandono instala-se devagar
água fria a fluir nas tuas veias.


Os gestos
os rostos
o próprio ar
deixam de te reconhecer.


A raiva cresce onde a voz não chega.
Há um animal fechado
a roer-te o peito por dentro
a pedir saída
a pedir mundo
a pedir que alguém te veja
antes que te desvaneças.


E resistes.
Chama frágil
clandestina
que insiste em não morrer.
Um lume que não aquece
ilumina
para que não te percas de ti.


E assim segues.
Entre o que te falta
e o que te sobra.
Entre o que te negam
e o que ainda guardas.


Um corpo que avança
mesmo quando o caminho
não lhe pertence.


Um silêncio que resiste
mesmo quando ninguém
o sabe escutar.




 
Autor
idália
Autor
 
Texto
Data
Leituras
27
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados