Deixo para um depois essa parda conversa Sei que o medo te traz a voz em correntes E as mãos já ferrugentas com tanta bágoa Sei que daqui não voas com fome perversa E tampouco com a maldade de más gentes Sei que és apenas o último grito da mágoa
Essa mesma mágoa que me consome vivo E me crava na cor da pele o ódio inumano De onde vais e vens qual chicote de farpas Que me fura a carne nua qual um fino divo Que t'ouve rosnar e olha com olhar insano De quem atira o inocente mar às escarpas
Disputas com as mãos severas o negro céu Num desafio louco de loucos deuses irados Num descontentamento digno das crianças A quem roubam os chãos deste mundo réu Foste condenado a correr para tantos lados Pai destas tempestades e filho de bonanças
Foste contado por metade e vens em dobro Acaricias docemente os cabelos das sereias E esmurras a terra pisada pelo homem tolo Cantas e ecoas nas ilhas e cabos que dobro Esse tanto mal ou bem que comigo semeias E aos que sobram estas lágrimas de consolo
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