Poemas : 

As Cores do Vento (181ª Poesia de um Canalha)

 
Deixo para um depois essa parda conversa
Sei que o medo te traz a voz em correntes
E as mãos já ferrugentas com tanta bágoa
Sei que daqui não voas com fome perversa
E tampouco com a maldade de más gentes
Sei que és apenas o último grito da mágoa

Essa mesma mágoa que me consome vivo
E me crava na cor da pele o ódio inumano
De onde vais e vens qual chicote de farpas
Que me fura a carne nua qual um fino divo
Que t'ouve rosnar e olha com olhar insano
De quem atira o inocente mar às escarpas

Disputas com as mãos severas o negro céu
Num desafio louco de loucos deuses irados
Num descontentamento digno das crianças
A quem roubam os chãos deste mundo réu
Foste condenado a correr para tantos lados
Pai destas tempestades e filho de bonanças

Foste contado por metade e vens em dobro
Acaricias docemente os cabelos das sereias
E esmurras a terra pisada pelo homem tolo
Cantas e ecoas nas ilhas e cabos que dobro
Esse tanto mal ou bem que comigo semeias
E aos que sobram estas lágrimas de consolo


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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