
Sal e Bravura
Data 28/07/2026 15:51:20 | Tópico: Poemas
| Sobre o Tejo que me assiste, De Alcochete sou herdeiro; Onde o rio não resiste A ser fado marinheiro.
Veste o verde na memória, barrete, jaqueta e brio, traço em lã a minha história na cinta negra e no frio.
Na festa de toiros viva, onde o génio se agiganta, há espera coletiva que no peito se levanta.
Negro relâmpago mudo, rasga o pó da tarde em flor; O corno que investe em tudo é fúria em puro vigor.
Mãos que prendem o infinito no abraço que a vida entrega — eis o silêncio de um grito na coragem de uma pega.
Seda que a morte desenha numa faena de luz; Engenho que o peito empenha na sorte que nos conduz.
Filho da terra e do mar, neste quinhão de salinas, sou o barrete a voar nas ruas e nas campinas.
Carlos Lopes
|
|