Evangelho Segundo a Vida [8] (193ª Poesia de um Canalha)

Data 30/09/2026 14:53:22 | Tópico: Poemas

Naufragamos aqui assim
Em infinito silêncio longo
Todas as nossas palavras
Por velho destempo afim
De um novo sol capiongo
Posto ao chão que lavras

Navegámo-nos nas rugas
De velas ao vento loucas
Tal qual os rios cansados
Que petizes fingem fugas
Cantando d'vozes roucas
Suas vidas e belos fados

Somos dois d'apenas um
Terra ou mar d'ar só meu
Olhos nos olhos já cegos
Declamo sem jeito algum
Às estrelas de céu circeu
O sabor d'teus chamegos


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