Naufragamos aqui assim
Em infinito silêncio longo
Todas as nossas palavras
Por velho destempo afim
De um novo sol capiongo
Posto ao chão que lavras
Navegámo-nos nas rugas
De velas ao vento loucas
Tal qual os rios cansados
Que petizes fingem fugas
Cantando d'vozes roucas
Suas vidas e belos fados
Somos dois d'apenas um
Terra ou mar d'ar só meu
Olhos nos olhos já cegos
Declamo sem jeito algum
Às estrelas de céu circeu
O sabor d'teus chamegos
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma