Terra

Data 03/08/2026 09:42:04 | Tópico: Poemas

acreditei nesse cerco prodígio
num tempo em que criava cravos
estrelas vermelhas do meu jardim
e açambarcava pétalas e pedras

cheirava o chão lavado em suor
líquido oneroso para quem o não sente
descer pelas costas em gotículas em linha
até que uma língua as una na pele nua

cosia saias e panos à barriga ferida
linhos e sedas no teu pescoço ocupado
e quase nada se notava do nosso mundo
amarelo como os canários e girassóis

que rodeavam o sítio aberto a alguém
entradas e saídas permitidas a todos
modos e maneiras, sujo ou limpo ou nada
porque também esse aparecia a intervalos


gastei todas moeda moedinha que tinha
saí rastejando na laje preta contigo no pé
linhos e panos se ocuparam da nossa pele comida
e só ossos saíram do subrumano* com vida
só ossos preservaram a minha fé













* neologismo com base nas palavras sobrehumano+subhumano



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