Poemas : 

Terra

 
acreditei nesse cerco prodígio
num tempo em que criava cravos
estrelas vermelhas do meu jardim
e açambarcava pétalas e pedras

cheirava o chão lavado em suor
líquido oneroso para quem o não sente
descer pelas costas em gotículas em linha
até que uma língua as una na pele nua

cosia saias e panos à barriga ferida
linhos e sedas no teu pescoço ocupado
e quase nada se notava do nosso mundo
amarelo como os canários e girassóis

que rodeavam o sítio aberto a alguém
entradas e saídas permitidas a todos
modos e maneiras, sujo ou limpo ou nada
porque também esse aparecia a intervalos


gastei todas moeda moedinha que tinha
saí rastejando na laje preta contigo no pé
linhos e panos se ocuparam da nossa pele comida
e só ossos saíram do subrumano* com vida
só ossos preservaram a minha fé














I got that feeling
That bad feeling that you don't know
(Massive Attack)

* neologismo com base nas palavras sobrehumano+subhumano
 
Autor
Beatrix
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Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 04/08/2026 10:08  Atualizado: 04/08/2026 10:08
Colaborador
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 Re: Terra
"...subrumano..." parece bem...
(Obrigado pela explicação)

Gostei muito

Obrigado pela leitura

Enviado por Tópico
Benjamin Pó
Publicado: 06/08/2026 07:38  Atualizado: 06/08/2026 07:38
Administrador
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 Re: Terra p/ Beatrix
.
"I'll wrap up my bones
And leave them
Out of this home
Out on the road

Two feet standing on a principle
Two hands longing for each others warmth
Cold smoke seeping out of colder throats
Darkness falling, leaves nowhere to go"


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