
N'um respirar arfado
Data 03/08/2026 23:19:00 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Nos ecos da ampulheta mora a paciência do ápice da depressão sem pedir licença para existir reaprendi a respirar arfado desde a viuvez não era uma Nau pronto pra embarcar ou desembarcar n'um porto qualquer do reaprender a respirar custa uma vida da alma bonita que cumpriu a promessa feita no mais gélido dos mármores não era mais a mesma feito primavera depois de maio no espelho há feridas nem mesmo sabia que existia dor na moeda da palavra amor de um ar pesado de uma paixão avassaladora sem limites e sem censuras vestida de humilhação.
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No pó da maquiagem da mentira devorava o silencio do prato quebrado no chão algodão escondendo na cerca de arame que demora a dormir na peça do tabuleiro que gelou os ossos n'um décimo de segundo o coração quase parou no peito sobre os escombros no segundo mais longo da vida lágrimas no sinal do presente feito cobra adormecida engolindo o prato frio da vingança doeu tanto que até hoje almofadas no fundo do poço escorregando até o chão morto que ainda comando tudo.
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Olhando com olhos d'alma as mãos tremulas em tempo real brisa suave é ternura e mesmo escolhendo ser dona do império da sua própria vida d'onde na camada de podridão que se ainda respira com as flores de primavera nascidas nulas na floresta encantada d'onde a névoa engole o desprezo frio do coração calejado e ferido o vazio havia no cofre da tradução da viúva que quer somente morrer em paz na invisibilidade nos pedaços de vida que restaram em toda extensão da nuvem blindando tudo que é ainda é nosso. ...
Quase é uma palavra útil fora do jogo comprando o medo dos pesa-medos feito água em peneira com desprezo divertido não era a uma sala limpa no prazo de entrega rachando o chão de toda a fonte de um lustre enorme forte o bastante para humilhar de perto a contagem regressiva da data dos processos longos inda que vencidos parte de mim inconveniente e independente-mente da agenda dobrada como guardanapo sujo jogado no tapete do fórum de uma sombria haste que montava a caixa d’água levando o melhor de nós numa corda azul desenlaçando o amor de toda uma vlida como uma pintura escorrida pelas lágrimas de diamantes desligando a mente do rosto de cara no chão com a humilhação a cada palavra se converteu em tempo real viva feito tempestade. ...
Hoje o sol se refaz na vida infinitamente lúcida livre de medo, dona do império que um dia tu deste num resgate permanente de alguém que aprendeu a entrar no olho do furacão e manter-se nas bordas vivendo em paz profunda apesar das ruínas internas n'uma verdade que faz barulho na mente de quem sente. Ray Nascimento
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