Poemas -> Tristeza : 

N'um respirar arfado

 
 
Nos ecos da ampulheta
mora a paciência do ápice da depressão sem pedir licença para existir
reaprendi a respirar arfado desde a viuvez
não era uma Nau pronto pra embarcar
ou desembarcar n'um porto qualquer
do reaprender a respirar custa uma vida
da alma bonita que cumpriu a promessa
feita no mais gélido dos mármores
não era mais a mesma feito primavera depois de maio
no espelho há feridas nem mesmo sabia
que existia dor na moeda da palavra amor
de um ar pesado de uma paixão avassaladora sem limites e sem censuras vestida de humilhação.

...

No pó da maquiagem da mentira devorava
o silencio do prato quebrado no chão
algodão escondendo na cerca de arame que demora a dormir na peça do tabuleiro que gelou os ossos
n'um décimo de segundo o coração
quase parou no peito sobre os escombros
no segundo mais longo da vida
lágrimas no sinal do presente feito
cobra adormecida engolindo
o prato frio da vingança doeu tanto que até hoje
almofadas no fundo do poço escorregando
até o chão morto que
ainda comando tudo.

...

Olhando com olhos d'alma
as mãos tremulas em tempo real brisa suave é
ternura e mesmo escolhendo ser dona
do império da sua própria vida
d'onde na camada de podridão
que se ainda respira com as flores de primavera
nascidas nulas na floresta encantada d'onde a névoa engole o desprezo frio do coração calejado e ferido
o vazio havia no cofre da tradução da viúva
que quer somente morrer em paz na invisibilidade nos pedaços
de vida que restaram em toda extensão
da nuvem blindando tudo que é ainda é nosso.
...

Quase é uma palavra útil fora do jogo
comprando o medo dos pesa-medos feito água em peneira com desprezo divertido
não era a uma sala limpa no prazo de entrega
rachando o chão de toda a fonte
de um lustre enorme forte o bastante
para humilhar de perto a contagem regressiva
da data dos processos longos inda que vencidos
parte de mim inconveniente e independente-mente da agenda dobrada como guardanapo sujo jogado no tapete do fórum
de uma sombria haste que montava a caixa d’água
levando o melhor de nós numa corda azul
desenlaçando o amor de toda uma vlida
como uma pintura escorrida pelas lágrimas
de diamantes desligando a mente do rosto de cara no chão com a humilhação
a cada palavra se converteu em tempo
real viva feito tempestade.
...

Hoje o sol se refaz na vida infinitamente lúcida
livre de medo, dona do império que um dia tu deste num resgate permanente
de alguém que aprendeu a entrar no olho do furacão e manter-se nas bordas vivendo em paz profunda apesar das ruínas internas
n'uma verdade que faz barulho na mente de quem sente.

Ray Nascimento


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Ray Nascimento
éh assim que chamam
minha Raynha.
A ela chamo de MÃE
minha vida
nem mesmo
sei se eh minha
eh por ela que eu vivo
motivo da minha alegr...

 
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RayNascimento
 
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