
Para ti... só para ti!
Data 07/08/2026 14:28:25 | Tópico: Poemas
| Naquele dia, Corri que nem um louco.
Como se pudesse vencer, A distância, O destino, E o próprio tempo.
O tempo que tinha Era pouco. Tão pouco, Que cada segundo, Pesava como uma eternidade.
E cada passo, Parecia nunca chegar ao fim.
Sinto raiva de mim mesmo, De não chegar a tempo.
Raiva das estradas, Dos relógios, Do vento, Da vida... Raiva de tudo, O que me afastou de ti, Naquele derradeiro instante.
Mas já nada podia fazer.
Limitei-me, A cair aos teus pés nus, No silêncio, Onde até as paredes choravam.
Agarrei-me a ti, Com todas as minhas forças, Como quem tenta impedir, Que o amor, Também morra.
Quase quebrava, A fragilidade daquele último abraço.
Porque o meu abraço, Era o último lugar, Onde ainda te queria guardar.
Só à força, Te arrancaram de mim.
E eu...
Nem sequer tive força, Para lhes dizer, Com a voz presa no peito, Que ainda precisavas de mim.
Não te queria deixar.
Não queria deixar, Que fechassem aquela porta, Nem que o mundo, Continuasse a girar, Como se nada tivesse acontecido.
Queria apenas, Beijar os teus lábios frios, Acariciar o teu rosto sereno, E guardar-te mais uma vez em mim, Como se ainda te pudesse acordar.
Guardar na memória, Cada traço, Cada silêncio, Cada despedida.
E lavar o teu rosto, Com o meu dilúvio.
Chorei tanto, Que o espelho deixou, De me reconhecer.
Havia sal, Em tudo o que tocava.
Chorei, Até as lágrimas, Já não saberem cair.
Até o peito ficar vazio.
Até a alma perder a voz.
Pensava eu que talvez, Se chorasse o suficiente, O Universo se condoesse, E abrisse uma exceção para mim.
Que o tempo, Cansado de me ver sofrer, Voltasse atrás, Nem que fosse por um instante.
Um instante apenas... O suficiente, Para ouvir a tua voz, Mais uma vez.
Para sentir, O calor das tuas mãos.
Para te dizer, Tudo o que ficou por dizer, Pois perdi-me no tempo, E ficou preso, Dentro do meu coração.
Perguntei ao casaco, Ainda pendurado atrás da porta, Porque continuava, A guardar o teu perfume? Perguntei à noite, Se ainda se lembrava de ti.
Perguntei às estrelas, Se agora brilhavas entre elas.
Mas todas, Responderam, Com o mesmo silêncio.
Cheguei mesmo a rogar ao tempo, De joelhos, Que voltasse, Um instante, Para trás. Chamei por ele, Curvado sobre a ausência, Com a voz desfeita.
Mas o tempo, Nunca escutou, Quem ama.
Segue sempre em frente, Levando consigo, Os rostos, Os abraços, Os sorrisos...
E deixando apenas, A saudade.
Uma saudade, Intemporal, Que não envelhece.
Que apenas aprende, A esconder-se, Dentro de nós. E ainda hoje, Quando o silêncio, Entra pela minha janela, Fecho os olhos...
E volto a correr.
Na esperança impossível, De, Desta vez, Chegar a tempo.
Mas acordo sempre, No mesmo instante.
No instante, Em que te perdi.
E é aí...
Que o meu coração, Volta a afogar o mundo, No mesmo instante.
Diogo Cosmo ∞ Lisboa 1982/83
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