
A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.
Data 13/08/2026 20:01:50 | Tópico: Crónicas
| “A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.”
Por que o negativo nos comove tanto, enquanto o positivo, às vezes, passa despercebido?
Por que a dor, a perda, a guerra e o desamor nos comovem mais do que o prazer, o ganho, a paz e o amor?
Por que precisamos perder tanto para aprendermos a ganhar?
Por que enxugamos tantas lágrimas, mas não nos esforçamos para evitar que elas rolem?
Por que aprendemos a valorizar o amor somente depois que o perdemos?
E por que nos afastamos tanto de Deus, acreditando que sozinhos venceremos as adversidades, e somente quando não conseguimos percebemos o quanto Ele é primordial em nossa vida?
Valorizamos tanto, muitas vezes, o mal que se instala diante de nossos olhos que deixamos de perceber o bem que acontece a todo momento.
Talvez porque a dor faça barulho, enquanto o bem, muitas vezes, chegue silenciosamente.
A dor interrompe. O bem, ao contrário, muitas vezes se torna parte da rotina.
Quando estamos em paz, nem sempre percebemos a paz. Quando a perdemos, sentimos imediatamente a sua falta.
Quando temos saúde, raramente pensamos nela. Basta uma dor para percebermos o quanto ela é preciosa.
Quando somos amados, podemos acabar nos acostumando com o amor. Quando o perdemos, descobrimos o tamanho do vazio que ele preenchia.
Talvez seja essa uma das grandes contradições da vida: precisamos sentir a ausência de algo para compreender plenamente o valor de sua presença.
Mas será que precisa ser assim?
Será que precisamos perder a paz para descobrir que vivíamos em paz?
Precisamos perder alguém para reconhecer o quanto amávamos?
Precisamos sofrer para perceber a graça que já havíamos recebido?
Talvez o grande aprendizado esteja justamente em não esperar a perda para reconhecer o valor daquilo que temos.
Não esperar que a paz vá embora para perceber que estávamos em paz.
Não esperar o silêncio depois da partida para valorizar a presença.
Não esperar a dor para agradecer pela saúde.
Não esperar perder o amor para perceber o quanto éramos amados.
E, principalmente, não esperar as dificuldades da vida para perceber que Deus sempre esteve conosco.
A dor pode ser física, imediata e intensa. Ela chama nossa atenção porque interrompe aquilo que estávamos fazendo e nos obriga a olhar para ela.
O bem-estar, a paz, o amor, a gratidão e tantos outros sentimentos bons, porém, muitas vezes chegam de forma silenciosa. Tornam-se parte dos nossos dias e, por isso, corremos o risco de considerá-los naturais.
Talvez seja por isso que a dor exija nossa atenção, enquanto o bem peça nossa percepção.
A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.
Feliz daquele que aprendeu a perceber o bem enquanto ele ainda está presente, a agradecer pela paz enquanto ela habita seu coração, a valorizar o amor enquanto pode oferecê-lo e recebê-lo.
Feliz daquele que compreendeu que o mal é passageiro, mas o bem, a graça e o amor de Deus são eternos.
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