Crónicas : 

A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.

 
“A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.”

Por que o negativo nos comove tanto, enquanto o positivo, às vezes, passa despercebido?

Por que a dor, a perda, a guerra e o desamor nos comovem mais do que o prazer, o ganho, a paz e o amor?

Por que precisamos perder tanto para aprendermos a ganhar?

Por que enxugamos tantas lágrimas, mas não nos esforçamos para evitar que elas rolem?

Por que aprendemos a valorizar o amor somente depois que o perdemos?

E por que nos afastamos tanto de Deus, acreditando que sozinhos venceremos as adversidades, e somente quando não conseguimos percebemos o quanto Ele é primordial em nossa vida?

Valorizamos tanto, muitas vezes, o mal que se instala diante de nossos olhos que deixamos de perceber o bem que acontece a todo momento.

Talvez porque a dor faça barulho, enquanto o bem, muitas vezes, chegue silenciosamente.

A dor interrompe. O bem, ao contrário, muitas vezes se torna parte da rotina.

Quando estamos em paz, nem sempre percebemos a paz. Quando a perdemos, sentimos imediatamente a sua falta.

Quando temos saúde, raramente pensamos nela. Basta uma dor para percebermos o quanto ela é preciosa.

Quando somos amados, podemos acabar nos acostumando com o amor. Quando o perdemos, descobrimos o tamanho do vazio que ele preenchia.

Talvez seja essa uma das grandes contradições da vida: precisamos sentir a ausência de algo para compreender plenamente o valor de sua presença.

Mas será que precisa ser assim?

Será que precisamos perder a paz para descobrir que vivíamos em paz?

Precisamos perder alguém para reconhecer o quanto amávamos?

Precisamos sofrer para perceber a graça que já havíamos recebido?

Talvez o grande aprendizado esteja justamente em não esperar a perda para reconhecer o valor daquilo que temos.

Não esperar que a paz vá embora para perceber que estávamos em paz.

Não esperar o silêncio depois da partida para valorizar a presença.

Não esperar a dor para agradecer pela saúde.

Não esperar perder o amor para perceber o quanto éramos amados.

E, principalmente, não esperar as dificuldades da vida para perceber que Deus sempre esteve conosco.

A dor pode ser física, imediata e intensa. Ela chama nossa atenção porque interrompe aquilo que estávamos fazendo e nos obriga a olhar para ela.

O bem-estar, a paz, o amor, a gratidão e tantos outros sentimentos bons, porém, muitas vezes chegam de forma silenciosa. Tornam-se parte dos nossos dias e, por isso, corremos o risco de considerá-los naturais.

Talvez seja por isso que a dor exija nossa atenção, enquanto o bem peça nossa percepção.

A dor exige nossa atenção; o bem pede nossa percepção.

Feliz daquele que aprendeu a perceber o bem enquanto ele ainda está presente, a agradecer pela paz enquanto ela habita seu coração, a valorizar o amor enquanto pode oferecê-lo e recebê-lo.

Feliz daquele que compreendeu que o mal é passageiro, mas o bem, a graça e o amor de Deus são eternos.




Fcalmeida

 
Autor
FranciscoCarlos
 
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