Íngreme

Data 19/08/2026 09:06:48 | Tópico: Poemas



Avança sem bússola
um corpo que se adivinha apenas pelo rumor do chão.


Procura o intervalo onde a luz se desvia
e ali pousa
como quem aprende a demorar-se no indizível.


Sobe degraus que se desfazem
desce outros que nunca terminam
acolhe o silêncio que se esconde nas paredes gastas.


Não aceita promessas de passagem
nem o teatro de mãos

prontas a medirem afetos. Prefere o gesto que nasce sem testemunhas
a ternura que não exige troféus.


E assim segue.
Entre o quase e o ainda não
entre a sombra que o persegue
e a sombra que o protege.


Um itinerário que se inventa a cada passo
imprevisível
como quem aprende a existir

sem pedir licença.










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