Sem Morse

Data 24/08/2026 21:40:36 | Tópico: Poemas

O chão da entrada e o peso dos sapatos
encostados à parede.
O teu perfil morno.
Um resto de luz na tua forma recolhida.
Respiras.

Palavras sem uso que arrefecem devagar
no fundo da garganta.
O teu olhar parado.
A minha mão que desce pela tua espinha
sem qualquer pressa.
O pano do tapete.

A sala dispensa a voz.
O queixo no meu joelho,
peso certo a dobrar o tecido da calça.
Focinho húmido.

Lá fora ainda estalam motores
portas a fechar no fim da rua.
A tua cauda bate — sem código, sem morse.
Duas pancadas na madeira,
depois o silêncio inteiro.
Escuro e manso.



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