O chão da entrada e o peso dos sapatos
encostados à parede.
O teu perfil morno.
Um resto de luz na tua forma recolhida.
Respiras.
Palavras sem uso que arrefecem devagar
no fundo da garganta.
O teu olhar parado.
A minha mão que desce pela tua espinha
sem qualquer pressa.
O pano do tapete.
A sala dispensa a voz.
O queixo no meu joelho,
peso certo a dobrar o tecido da calça.
Focinho húmido.
Lá fora ainda estalam motores
portas a fechar no fim da rua.
A tua cauda bate — sem código, sem morse.
Duas pancadas na madeira,
depois o silêncio inteiro.
Escuro e manso.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”