E se Os Sonhos Congelassem?

Data 26/08/2026 03:02:53 | Tópico: Poemas

Hoje,
Há qualquer coisa que regressa.

Não sei se é vento,
Ou se sou eu,
A aprender novamente a respirar,
Dentro deste siroco,
Que nos atravessa,
Sem pedir licença.

Sou uma nuvem.

Todos me olham,
E quase ninguém vê.

Veem a forma,
A sombra que deixo no chão,
Que é apagada pelo vento,
O movimento lento,
De quem parece saber para onde vai.

Mas ninguém conhece,
O que acontece no meu âmago.

Talvez só tu.

Talvez sejamos dois,
A olhar para o mesmo céu,
De dentro da mesma nuvem.

E penso na próxima paragem.

Naquele instante em que tudo pode parar:
O vento,
O tempo,
As mãos,
Até aquilo…

Que ainda não aconteceu.

E se os sonhos congelassem também?

Que seria de mim,
Sem esse lugar onde continuo a viajar,
Quando já não sei para onde ir?

Sem essa vontade absurda,
De perder horas,
De esquecer o sono,
De inventar caminhos,
Que acabam sempre em ti?

Talvez seja isso o amor:
Uma coisa que não sabemos explicar,
Mas que…
Subtilmente,
Nos toca os lábios,
Antes de sabermos,
Que estávamos à espera.

Eu queria continuar assim.

Neste mundo,
Onde nada parece vinculativo,
Dizem eles.
Nada prende.

Nada permanece.

Nada é de ninguém.

E, no entanto,
Há qualquer coisa em mim,
Que ainda te chama.

E talvez seja isso,
Que me mantém em movimento.



Diogo Cosmo ∞
Cascais
16-03-1986



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=385533