Hoje,
Há qualquer coisa que regressa.
Não sei se é vento,
Ou se sou eu,
A aprender novamente a respirar,
Dentro deste siroco,
Que nos atravessa,
Sem pedir licença.
Sou uma nuvem.
Todos me olham,
E quase ninguém vê.
Veem a forma,
A sombra que deixo no chão,
Que é apagada pelo vento,
O movimento lento,
De quem parece saber para onde vai.
Mas ninguém conhece,
O que acontece no meu âmago.
Talvez só tu.
Talvez sejamos dois,
A olhar para o mesmo céu,
De dentro da mesma nuvem.
E penso na próxima paragem.
Naquele instante em que tudo pode parar:
O vento,
O tempo,
As mãos,
Até aquilo…
Que ainda não aconteceu.
E se os sonhos congelassem também?
Que seria de mim,
Sem esse lugar onde continuo a viajar,
Quando já não sei para onde ir?
Sem essa vontade absurda,
De perder horas,
De esquecer o sono,
De inventar caminhos,
Que acabam sempre em ti?
Talvez seja isso o amor:
Uma coisa que não sabemos explicar,
Mas que…
Subtilmente,
Nos toca os lábios,
Antes de sabermos,
Que estávamos à espera.
Eu queria continuar assim.
Neste mundo,
Onde nada parece vinculativo,
Dizem eles.
Nada prende.
Nada permanece.
Nada é de ninguém.
E, no entanto,
Há qualquer coisa em mim,
Que ainda te chama.
E talvez seja isso,
Que me mantém em movimento.
Diogo Cosmo ∞
Cascais
16-03-1986
DIOGO Cosmo ♾