Corpo da distância

Data 27/08/2026 13:37:10 | Tópico: Poemas




Desde então

espero pela súbita janela

da insónia



para que do fundo do armário

acorde um rio invisível

labirinto de hipóteses

sons avulsos a subirem até mim.



Ultrapassa-me a lonjura

concreta e nítida

passa por mim um tempo líquido

a navegar memórias.



Fala da erosão da pedra

de metáforas com cheiro a terra

das raízes subterrâneas das estações

da limpidez da eternidade.



Tocada pela seiva vagarosa

guardo o corpo da distância

a reconhecer

no escuro

a forma secreta daquilo que permanece.





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