
TRILOGIA
Data 06/09/2026 13:34:45 | Tópico: Poemas
| Filhão, vou chamar de trilogia a história da tua vida. Como é qualquer vida... mas no teu caso, apesar de incompleta, terá muitas páginas, Pois há memórias que serão contadas pelos teus amigos.
Pelo menos, tal como a Ângela pediu, assim espero que aconteça.
Continuo neste terceiro mês como nas primeiras semanas Espero o milagre e escutar-te. Viraria este mundo em pantanas Para ouvir outra vez: -“Então papá, como é que está?” ... E há tanto para contar-te...
Mas hoje vou tentar não falar Apenas da dor que aqui ficou Quero ser capaz de explicar O exemplo que a tua existência deixou
A tua trilogia foi interrompida Parou no início da segunda parte Quando estavas mais feliz na vida Até o último livro era de poesia, de arte
Quarenta e cinco anos esbatêram excertos Da nossa vida e de tantos apêrtos Que preciso relembrar e escrever Não vá a - pê-dê-i - fazer-me esquecer
E se um dia a menina, já mulher Quiser saber bem quem foi o papá Este velho vovô, contigo já estará Mas ouvirá estas músicas... se ela quiser
Quero que saiba que tu, desde pequeno Soubeste que viver era superar a dor Que o coração era fragil, mas enorme e pleno E que ela recebia ,até transbordar, o teu amor
Saberá que foste um paizão inigualável E que muitos couberam nesse coração doente. Eras muito atento com toda a gente, Discreto e o ouvinte sempre confiável
Que tenha a certeza de que o teu sorriso O teu olhar e a tua educação a falar Era quanto te bastava para todos conquistar Nada mais te faltava, não te era preciso
Se até lá eu viver, e ela me disser um dia: “- Vovô, quero mais, quero saber TUDO” Eu abrirei as minhas páginas da tua trilogia Mesmo que a voz trema, ou esteja meio mudo
Contar-lhe-ei o que sei, sem ser breve Afinal, é isso que mais quero fazer E jamais deixar que o tempo leve Aquilo que ela merece e deve saber
E assim vou escrevendo parte da trilogia A que o destino não te deixa descrever Para que a tua filhinha possa, um dia Ler quem foste e acabar de te conhecer
Que saiba que não foste como o livro que termina e que se guarda, quando acabamos a última folha. Foste, isso sim, como o livro sempre à mão aquele que nos motiva ou ensina Em qualquer parágrafo que se escolha
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