
O sal do meu peito
Data 08/09/2026 17:50:05 | Tópico: Poemas
| Te amar assim...
Tanto.
Te amar.
Te amar como se nunca tivesse conhecido outro sentimento senão este, que me consome o fígado, que me embriaga, que me fragiliza o corpo.
Te amar ao mar, e beber de ti o afeto que te falta nas palavras, mas transborda nas pequenas coisas, nesses gestos simbólicos que surgem pelo caminho, como se cada um deles tivesse sido feito pela delicadeza de um dedo teu.
Te amar assim, como se não houvesse uma primeira vez, porque sempre foste tu.
Eu, desde menina. Tu, desde menino. Nós, antes mesmo de sabermos que éramos nós.
Uma coisa única. Uma coisa antiga. Desde sempre.
Como se nunca tivesse existido outro alguém, porque sempre fomos um do outro e, de alguma forma, apenas estivéssemos separados.
Como placas tectônicas que um dia foram uma só forma e que a distância não conseguiu desfazer por inteiro; apenas afastou as margens, sem apagar a memória de terem sido uma só.
Também assim:
como céu, mar e terra — distantes, paralelos, aparentemente separados, mas pertencentes à mesma paisagem.
Linhas que se encontram sem nunca deixarem de ser linhas.
Amar-te assim, como tenho amado, ingenuamente, com essa esperança quase infantil de que és uma parte de mim que me falta e, ao mesmo tempo, me completa.
Uma parte que se encaixa, que se aquieta, como se dali tivesse vindo e ali tivesse passado a vida inteira procurando o caminho de volta.
Amar-me assim. Amar-te assim.
Ao mar.
E, no fim, é apenas isto:
te amar.
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