Poemas : 

O sal do meu peito

 
Te amar assim...

Tanto.

Te amar.

Te amar como se nunca tivesse conhecido outro sentimento senão este,
que me consome o fígado,
que me embriaga,
que me fragiliza o corpo.

Te amar ao mar,
e beber de ti o afeto que te falta nas palavras,
mas transborda nas pequenas coisas,
nesses gestos simbólicos que surgem pelo caminho,
como se cada um deles tivesse sido feito
pela delicadeza de um dedo teu.

Te amar assim,
como se não houvesse uma primeira vez,
porque sempre foste tu.

Eu, desde menina.
Tu, desde menino.
Nós, antes mesmo de sabermos que éramos nós.

Uma coisa única.
Uma coisa antiga.
Desde sempre.

Como se nunca tivesse existido outro alguém,
porque sempre fomos um do outro
e, de alguma forma,
apenas estivéssemos separados.

Como placas tectônicas
que um dia foram uma só forma
e que a distância não conseguiu desfazer por inteiro;
apenas afastou as margens,
sem apagar a memória
de terem sido uma só.

Também assim:

como céu, mar e terra —
distantes,
paralelos,
aparentemente separados,
mas pertencentes à mesma paisagem.

Linhas que se encontram
sem nunca deixarem de ser linhas.

Amar-te assim,
como tenho amado,
ingenuamente,
com essa esperança quase infantil
de que és uma parte de mim
que me falta e, ao mesmo tempo, me completa.

Uma parte que se encaixa,
que se aquieta,
como se dali tivesse vindo
e ali tivesse passado a vida inteira
procurando o caminho de volta.

Amar-me assim.
Amar-te assim.

Ao mar.

E, no fim,
é apenas isto:

te amar.


Sta. Rochaaa.

 
Autor
rebecarocha
 
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