Junto ao Tejo

Data 14/09/2026 09:09:24 | Tópico: Poemas

O granito das vielas acorda,
Lisboa amanhece cinzenta.
No desespero ou no júbilo,
nas esquinas
do destino.

O Tejo guarda a memória
das caravelas que partiram
nas manhãs de pura ausência,
onde moram
os anseios.

O cais estende-se difuso,
fumo denso onde os sonhos vacilam,
antes de se fazerem vida.
A saudade é o esforço
dos dias.

A cidade ergue-se como abrigo,
à tormenta das marés severas.
O alvorecer bate nas colinas
com o vigor
do seu guindar.

Avançamos na calçada,
misturando o cansaço e o rumo,
no sopro cálido,
junto ao rio.



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