O granito das vielas acorda,
Lisboa amanhece cinzenta.
No desespero ou no júbilo,
nas esquinas
do destino.
O Tejo guarda a memória
das caravelas que partiram
nas manhãs de pura ausência,
onde moram
os anseios.
O cais estende-se difuso,
fumo denso onde os sonhos vacilam,
antes de se fazerem vida.
A saudade é o esforço
dos dias.
A cidade ergue-se como abrigo,
à tormenta das marés severas.
O alvorecer bate nas colinas
com o vigor
do seu guindar.
Avançamos na calçada,
misturando o cansaço e o rumo,
no sopro cálido,
junto ao rio.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”